
Andrea Murad: posições firmes.
A deputada estadual eleita Andrea Murad (PMDB) questionou sobre qual a posição do seu partido em relação ao governo Flávio Dino à luz da eleição para presidente da Assembleia Legislativa.
Para a deputada eleita, até poderia haver consenso se o nome para a presidência não fosse um nome diretamente indicado pelo novo governador. “A candidatura de Humberto Coutinho não foi consenso entre os deputados, ela foi imposta pelo governador desde um jantar comemorativo em Caxias. E diante das circunstâncias, acho que podemos ter uma segunda opção”, ponderou.
Ela recorda o episódio que elegeu o deputado Arnaldo Melo como presidente da Assembleia em 2011, onde os deputados da casa desejaram independência e assim foi o desejo da maioria. “E que independência teremos com Humberto Coutinho? Na minha concepção é incompreensível e inaceitável. Não podemos simplesmente permitir que seja imposta uma vontade do novo governador — de quem somos oposição — sem ao menos discutirmos o assunto.” afirmou Andrea que deixou claro que não é candidata a presidente da casa e nunca cogitou esta possibilidade.
O “Consenso de Coutinho”
Do ponto de vista do partidário, Andrea Murad está correta ao defender um posicionamento independente do PMDB em relação ao projeto Humberto Coutinho de ser presidente da Assembleia Legislativa, já que a legenda foi empurrada para a oposição com o resultado eleitoral de outubro. E está correta também do ponto de vista do parlamento no que diz respeito à autonomia do Poder Legislativo.
O Legislativo é por natureza um espaço de dissenso, do contraditório e do debate. Consensos nos parlamentos só são possíveis, quando os são, depois de muita discussão e exaustão dos debates, articulações etc.
Desta forma, não faz qualquer sentido as forças políticas que foram derrotadas eleitoralmente no pleito deste ano “aderir” a um projeto que não lhes pertence. Capitular a um eventual “Consenso de Coutinho” é demostrar antes de tudo uma certa dose de covardia política.
Contudo, e para mostrar que não está para brincadeira quando o assunto é a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, Andrea Murad deixou claro que a posição do seu colega Roberto Costa sobre o assunto é pessoal, e aproveitou ainda para fazer uma provocação quanto a uma suposta “adesão” do peemedebista ao projeto Coutinho.
“Se de fato Roberto já tem uma posição definida, o que ainda não conversamos, só me resta lamentar muito essa adesão dele ao candidato imposto pelo governo. Mas vou continuar defendendo uma candidatura independente, formada pelos deputados eleitos nas coligações que deram apoio ao Lobão Filho e que formam ampla maioria na Assembleia. E não trata-se de marcar posição não, é porque acredito que temos capacidade de concorrer e ganhar a presidência da casa. Temos muitos deputados experientes que podem encabeçar uma chapa independente. Precisamos ter liberdade para defender os interesses do povo e não os interesses do governo”, afirmou.
O fato é que a eleição para presidente da Assembleia Legislativa ainda vai dar muto o que falar até fevereiro de 2015, quando será realizada.
Deve também expor as contradições dentro do PMDB da ex-governadora Roseana Sarney, além de revelar de forma mais tangente o que realmente sobrou do grupo Sarney depois da vitória de Flávio Dino ao governo do Maranhão.
No mais, o que também tem chamado a atenção, ao menos do Blog do Robert Lobato, na cobertura da eleição para presidente da Assembleia Legislativa feita pela blogosfera local é que blogs dinistas, de forma até surpreendente, resolveram dar espaço privilegiados a sarneysistas roxos como Roberto Costa e Joaquim Haickel para contrapor à combativa Andrea Murad. Por que será?