Como se trata de uma extensa entrevista, resolvi dividi-la em partes para publicar em diferentes postagens, até porque o blogueiro anda meio sem tempo nestes dias.
Então vamos à primeira parte do comentário sobre a entrevista do Flávio Dino à Folha/UOL. Confira:
Relação com o PT – O governador eleito admitiu que a opção da aliança do PT com o PMDB no Maranhão foi uma exigência do comando nacional do partido, reconhecendo que não é só o PCdoB que tem lá sua disciplina partidária – o PT também tem, ao menos no plano nacional.
Porém, Flávio Dino equivoca-se quando tenta valorizar-se ao afirmar que “a militância do PT, a base do PT, fez nossa campanha. As principais lideranças do PT no Estado frequentaram o nosso palanque”. Não é bem assim!
A maioria do partido optou pela aliança com o PMDB, tanto que ganhou todos os encontros estaduais e a grande parte dos prefeitos e vereadores do PT estava no palanque de Lobão Filho.
Até mesmo a tal “Resistência Petista” dividiu-se em duas posições: o grupo chamado de “Pirilampo” ficou com Dino; e a “Resistência” propriamente dita defendeu candidatura própria do PT.
Só depois de muitas crises as duas “resistências” se reencontram, mas mesmo assim… Deixa pra lá.
O comunismo – O jornalista maranhense Sidney Pereira foi linchado pelo imprensa dinista quando numa sabatina, na TV Mirante, citou o estatuto do PCdoB onde recomenda a ideologia comunista como estrutura politica e socioeconômica de poder. E não é que o renomado Fernando Rodrigues foi na mesma linha? Ele pode, né?
Pois bem. Perguntado sobre as recomendações estatutárias do PCdoB e de supostamente o comunismo ser a meta final do partido, Dino foi mais generoso com o jornalista “do Sul” do que o miranteano, e disse que o comunismo do Brasil está“permanentemente atualizando o nosso programa”.
Quanto a ideologia comunista ser a meta final de sociedade, o futuro governador do Maranhão respondeu suavemente que “o comunismo é a nossa referência de luta. Acreditamos que é preciso haver um regime no qual a humanidade usufrua da riqueza com mais justiça social. É uma referência, para alguns absolutamente utópica, uma referência política”.
Dessa vez, não houve citações da Bíblia para dar um verniz mais cristão ao comunismo defendido por Flávio Dino, tal como ocorria durante a campanha eleitoral.
Ah! Dino disse que o PCdoB não muda de nome porque o nome “comunismo é bonito, corresponde a uma história da qual temos muito orgulho. E o nome carrega em si a origem etimológica de comunhão, de comunidade, de comum, de coisas boas”. É, concordo.
Livre mercado e competição – O jornalista da da Folha/UOL provocou o comunista sobre as as vantagens do inciativa privada e a competição.
Dino não se fez de rogado e, como não poderia deixar de ser diferente, já que agora é governador eleito, afirmou que “temos que incorporar valores e experiências [capitalistas] de outros países, e temos exemplos no mundo”.
Ora, claro que o Flávio Dino tem uma visão, digamos, pragmática do mundo no sentido de que não pode desprezar a importância do capital produtivo na melhoria das condições sociais do povo.
O comunismo do nosso futuro governador é “romântico”, um charme de alguém que carrega consigo valores socialistas desde a juventude, mesmo levando uma vida pequeno-burguesa.
Flávio Dino não é necessariamente um revolucionário comunista. Aliás, está longe de sê-lo, e não é por causa das suas camisas estilosas da Lacost não.
Enfim, voltamos amanhã com mais comentários sobre a festejada entrevista do governador eleito do Maranhão, doutor Flávio Dino, ao portal Folha/UOL.
Até lá!