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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Passe a faixa para o comunista, governadora!


Ex-presidente José Sarney passou a faixa para o então presidente eleito Fernando Collor de Melo.
Leio e ouço pela imprensa nativa que a governadora Roseana Sarney renunciará ao cargo no dia 30 de novembro. O motivo seria, pasmem!, não querer participar da tradicional cerimônia de transmissão de faixa de governador para Flávio Dino.
Procuro todas as explicações possíveis e plausíveis para que a nossa governadora se recuse a passar a faixa para o governador eleito e não as encontro.
Lógico que motivos pessoais e até políticos existem muitos, já que o oposicionista utilizou-se de vários e vários meios para desqualificar Roseana e seus familiares, principalmente seu pai, o senador José Sarney. Isso sem falar na forma quase sempre torpe com que se refere ao atual governo do estado.
Ocorre que a cerimônia de transmissão de faixa não é de per si um ato político. É sobretudo uma símbolo institucional da democracia para mostrar à sociedade que a alternância de poder é uma possibilidade para a cidadania. Trata-se de uma tradição que enobrece tanto a quem entrega quanto a quem recebe a faixa.
Roseana até pode, mas não deve se recusar a entregar a faixa de governador ao próximo chefe do executivo estadual sob pena de parecer que está saindo pelas portas dos fundos do Palácio dos Leões.  Até pode, mas não deve dar o pretexto para seus opositores dizerem que nem ela conseguiu ficar até o final do “melhor governo” da sua vida.
Não queria ficar no governo até o fim do mandato, então por que não passou o cargo para o vice-governador Washington Luis e saiu para disputar o Senado Federal? Não desejava ver seus detratores no poder, então por que não elegeu Luis Fernando pela Assembleia Legislativa? Não queria passar a faixa para o líder da oposição, então por que não jogou peso para eleger o seu candidato a governador Lobão Filho? Não queria ver seu grupo desmoronar feito peças de dominó enfileiradas, por que então não o liderou de fato e com determinação?
Renunciar ao cargo antes do tempo, mesmo que por trás esteja alguma “sacada” política, não é razoável, ainda mais para quem prometeu em praça pública que ficaria até o final do mandato para entregar todas as obras do governo.
Se a governadora cometer este equívoco estará deixando de lado o perfil carismático e republicano que sempre marcou sua personalidade política para se igualar ao estilo rancoroso do seu sucessor. Ou ainda fazer como Tadeu Palácio e João Castelo que não tiveram a ombridade de transmitir da faixa de prefeito aos seus respectivos sucessores.
Até o senador José Sarney fez questão de colocar a faixa no então presidente eleito Fernando Collor de Melo, e olha que o “cassador de marajás” tinha feito uma campanha duríssima contra o ex-presidente.
Nesse sentido, mire e siga o exemplo do seu pai: passe a faixa para o comunista, governadora!
E saia pela porta da frente do Palácio dos Leões com a cabeça erguida.

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