O Imparcial conta a história de duas mulheres que resolveram abrir um negócio a partir da necessidade de pessoas com restrições alimentares.
DALVANA MENDES (O Imparcial)
SÃO LUÍS-MA: Transformar uma ideia em negócio é o sonho de muita gente. O empreendedorismo é a opção mais procurada dentre as pessoas que estão buscando a independência financeira visando ser o dono do seu próprio negócio. Existem diversas maneiras de iniciar um empreendimento. Em São Luís, por exemplo, a reportagem de O IMPARCIAL conheceu a história de duas mulheres que resolveram abrir um modelo de negócio a partir das necessidades de pessoas com restrições alimentares.
A ideia delas surgiu a partir da procura por alimentos criados para atender pessoas com problemas de restrições alimentares. Casos de intolerância a lactose, uma proteína do leite são cada vez mais comum, principalmente, entre crianças. A doença celíaca que é uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, centeio, cevada, aveia e malte, também já faz parte da condição de vida de algumas pessoas, sem contar na diabetes, que a cada ano cresce assustadoramente devido ao consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar. Esse cenário alimentou o sonho das empresárias Aline Vasconcelos e Priscila Ramos. Em 2010, as duas formaram uma sociedade e resolveram inaugurar a loja ‘Lactose Zero’, estabelecimento especializado em produtos sem lactose, glúten, açúcar ou soja. Segundo elas, a procura e as indicações médicas constantes e a busca de novidades e opções para tornar mais fácil e apetitosa a vida dessas pessoas serviram de fatores determinantes na hora de abrir o empreendimento, se tornando um negócio lucrativo.
COMO SURGIU?
Segundo Priscila Ramos, o negócio surgiu a partir de uma palestra sobre empreendedorismo de oportunidade e necessidade ministrada pela presidente da Endeavor no Brasil (Marília Rocca).
“A palestra foi o ponta pé inicial, depois de entender a importância de pensar como empreendedoras de oportunidade, identificando espaços não ocupados no mercado, nos demos conta de que o público com restrições alimentares estava sendo mal atendido”, explicou.
Priscila afirmou ainda que o fato de conviver com pessoas com intolerância a lactose aguçou essa percepção. “O caso mais próximo é do meu marido e da minha ex-sócia, a Aline Vasconcelos”, completou.
De acordo com a empresária, antes do ‘ponta pé’ inicial para execução do empreendimento, foi necessária uma preparação. Foi preciso um planejamento e a participação de cursos e estudos sobre o negócio. Isso tudo, segundo ela, durou cerca de três meses em reuniões semanais.
CAPITAL E LUCRO
Com o investimento inicial de R$ 100 mil, o negócio como a Lactose Zero, hoje tem um faturamento de R$ 20 a 25 mil por mês. Os preços do produtos variam de R$75 centavos a R$ 75 reais.
“O negócio como a Lactose Zero que por si só já exige uma apresentação diferenciada a grande dificuldade foi a falta de recurso. Tínhamos muito a investir (em marca, layout, estoque e equipamentos) e pouquíssimo dinheiro. Superamos com empréstimos pessoais que depois se transformaram num financiamento bancário”, pontuou.
DIAS PARA UM EMPREENDEDOR
A empresária Priscila dá dicas para quem quer abrir um empreendimento. Segundo ela, ler sobre o negócio e planejar a execução dele são fatores determinantes na hora de abrir um empreendimento. “Antes de qualquer iniciativa, é preciso ler sobre o negócio e planejar a sua execução. O importante é ter cautela antes de abrir o empreendimento”, disse.
Confira oito pontos que merecem a atenção dos novos empreendedores antes de abrir o primeiro negócio.
1.APOSTE NA EXPERIÊNCIA
Se o empreendedor não tem experiência na área em que deseja iniciar uma empresa, uma boa dica é procurar um sócio, funcionário ou até mesmo uma consultoria que já tenha certa experiência no ramo em questão.
2.ADQUIRA CAPACITAÇÃO E CONHECIMENTO
A busca pelo conhecimento sobre a área em que se quer atuar é fundamental. Cursos de capacitação são importantes para entender melhor os problemas cotidianos, desenvolver a capacidade de identificá-los e solucioná-los de maneira rápida, eficaz e mais econômica possível.
3.ELABORE UM PLANO DE NEGÓCIOS
Começar uma empresa sem um bom plano de negócios é o primeiro passo para o fracasso. Defina a estrutura operacional da empresa, crie um plano financeiro detalhado com o total do investimento, capital de giro, custos e previsão de rentabilidade da empresa no 1º, 2º e 3º ano. É aconselhável também criar um plano de marketing para identificar o público-alvo, mercado e estratégias de venda.
4.GERE VALOR PARA O CLIENTE
Para se destacar em um mercado com tantos concorrentes é preciso levar em conta a importância de ter um diferencial e gerar valor para o cliente. Responder a perguntas do tipo: “Como mostrar que a minha empresa existe? Por que o cliente me daria a preferência? Qual é o meu diferencial?” ajudam a identificar e implementar novas estratégias.
5.FAÇA INVESTIMENTOS ASSERTIVOS
Geralmente o empresário possui o capital necessário para o investimento, mas não consegue identificar de forma correta onde deve investir o dinheiro. Áreas como marketing, capacitação de funcionários e estruturais devem ser priorizadas, pois estão ligadas diretamente ao cliente e ao funcionamento da empresa.
6.MANTENHA CAPITAL DE GIRO SUFICIENTE
Antes de iniciar as atividades, tenha em mãos pelo menos o montante suficiente para manter as despesas gerais da empresa por um ano. Os primeiros meses são de adaptação ao mercado e não geram grande entrada de dinheiro no caixa, o que pode não ser o suficiente para pagar despesas essenciais da empresa.
7.SEPARE AS FINANÇAS PESSOAIS DAS DA EMPRESA
Uma dica é estipular um salário para o proprietário, que deverá ser retirado juntamente como o pagamento dos funcionários. Evitar retirar dinheiro fora das datas pré-fixadas para o pagamento e manter bem estruturado o controle financeiro da empresa também são tarefas importantes.
8.CONTROLE A ANSIEDADE
A ansiedade pode causar grande frustração antes mesmo que clientes importantes tenham conhecimento de que sua empresa existe. Inúmeros fatores podem atrasar o reconhecimento da empresa, por isso os esforços devem ser direcionados corretamente, na busca por conhecimento e capacitação, vontade de trabalhar e incentivos para inovar.
