Rádio ITINGAFM Ao vivo

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Após fracasso eleitoral, PT encara desafio de forjar líderes na esquerda além de Lula

Lula, quatro dias após as eleições municipais.© MIGUEL SCHINCARIOL Lula, quatro dias após as eleições municipais.
Em um roteiro já rascunhado, as primeiras eleições municipais após o impeachment de Dilma Rousseff foram um desastre para o Partido dos Trabalhadores, que na última década havia se estabelecido como a principal legenda de esquerda da América Latina. O partido liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu mais da metade das prefeituras, conseguindo eleger apenas 256 nomes no primeiro turno e tendo a chance de garantir, no máximo, mais sete no segundo turno, que acontece no final deste mês. É menos da metade do total de prefeitos petistas que chegaram ao poder há quatro anos. Em 2012, dois anos depois da primeira vitória de Rousseff à presidência, a sigla havia conseguido eleger 644 prefeitos, o maior número até então. E, como a política não aceita vácuo de poder, o PSDB, que vinha em declínio nas municipais desde que Lula assumiu a presidência, voltou a aumentar sua participação: subiu de 701 eleitos, em 2012, para 793 agora, podendo chegar a 812, caso eleja todos os tucanos que foram para o segundo turno.
A derrota nas eleições já era antecipada pelo partido, que desde 2013 vive uma crise que só se acentua. Mas, mesmo diante das análises pessimistas, não se esperava que ocorresse nesta extensão. Pouco antes de votar, no domingo passado, Lula dizia aos repórteres que o PT iria surpreender nesta eleição. Mas, logo após os resultados, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, afirmou em uma coletiva de imprensa que "foi uma derrota forte, grande, e que merece um exame minucioso nos próximos meses". As perdas não foram apenas numéricas, mas também simbólicas. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad não conseguiu passar para o segundo turno e perdeu para o candidato tucano, João Doria, até na periferia, onde o PT antes dominava. No Nordeste, outro reduto petista, o partido elegeu 37% prefeitos a menos do que em 2012. Na Bahia, por exemplo, a sigla conseguiu o comando de 39 prefeituras, enquanto em 2012 obteve 53.
Para além dos argumentos que apontam os escândalos de corrupção como a principal causa da derrota, rechaçado por cientistas políticos ouvidos pelo EL PAÍS, a análise do que motivou a derrota passa pelo próprio impeachment de Rousseff. Com as movimentações partidárias no Congresso, muitas das alianças que o PT havia costurado desde antes da chegada de Lula ao poder federal acabaram desfeitas. Uma resolução do PT nacional de maio deste ano afirmava que o partido não poderia se aliar a defensores do impeachmente que, prioritariamente, os candidatos municipais deveriam formar chapas com PCdoB e PDT. "A questão dos apoios é fundamental. Há uma correlação forte entre o sucesso eleitoral e o número das coligações de uma chapa", explica o cientista político Fernando Guarnieri, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ele ressalta que em 2002 Lula só conseguiu vencer no Nordeste depois que obteve, ainda que informalmente, o apoio de uma ala do PMDB importante nesses Estados, como a de José Sarney, que estava descontente com a candidatura de José Serra pelo PSDB, partido, na época, aliado dos peemedebistas. 
Guarnieri ressalta ainda que a derrota petista nas municipais deve ser vista não apenas pela ótica da perda de votos, mas também pela da diminuição da oferta de candidatos do partido. Diante do desgaste da imagem do PT, provocada pelos escândalos de corrupção e pelo processo de impeachment de Rousseff, muitos prefeitos que tentaram a reeleição já haviam deixado a sigla. Além disso, o partido lançou, neste ano, quase metade dos candidatos que havia lançado na eleição municipal de 2012. Há quatro anos, o PT era o segundo partido com o maior número de candidatos no país, atrás do PMDB; nesta última eleição, foi o sexto, apontou o jornal Valor Econômico.  "Uma menor oferta significa uma menor votação", ressalta ele.
Para além das questões políticas, o desempenho petista nestas eleições também deve ser visto pelo viés econômico, aponta o economista Ari Francisco de Araújo Junior, professor do IBMEC de Minas Gerais. Ele é autor de um artigo, em parceria com outros especialistas, em que analisava os motivos que levaram à reeleição de Lula, em 2006. Eles chegaram à conclusão de que, na época, a boa situação econômica do país teve mais influência nos votos pró-Lula do que os programas de transferência de renda implementados pelo Governo, como o Bolsa Família. "Quem define a eleição é o eleitor mediano, que tem uma renda mais baixa. Em geral, para eles, a ideologia importa menos [do que para os eleitores mais escolarizados], então a situação econômica do momento e as perspectivas de que no futuro possam garantir uma melhor condição pesam na hora do voto", explica ele. "Em resumo: as pessoas estão mais preocupadas em pagar suas contas e querem que isso seja sustentável no futuro", ressalta.
Ele acredita que o panorama federal contaminou as eleições municipais e o PT foi punido por conta de uma gestão econômica "muito ruim", que levou ao aumento da inflação e do desemprego. É o mesmo fator que poderia explicar a queda do desempenho do PSDB nas municipais entre 2000 e 2004. O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso havia deixado o Governo, em 2002, com uma inflação acumulada de 12,53% e uma taxa de desemprego que atingia, em dezembro daquele ano, 10,5% – pouco menor que a atual (11,8%, no trimestre terminado em agosto). Em 2000, o PSDB havia garantido 989 prefeituras e, em 2004, foi para 870, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.

Menos prefeito, menos palanque

O desempenho das eleições municipais podem trazer efeitos para o partido em 2018, já que os aliados nos municípios costumam garantir um número maior de palanques para as legendas. Isso afeta, especialmente, os candidatos a deputados federais, que dependem mais da campanha de rua do que os candidatos a presidente, que contam com maior exposição na TV.
Mas a queda do desempenho do partido preocupa, pois pode ser um sinal de que a rejeição à sigla será igualmente alta para os votos presidenciais. Sob o PT recai ainda a insegurança sobre a situação eleitoral de Lula em 2018. O ex-presidente e principal nome do partido tornou-se réu na Operação Lava Jato, corre o risco de ser preso e, até, de se tornar inelegível, o que é um problema para um partido que falhou em produzir novas lideranças. Por isso, a legenda entra agora em um período de autocrítica, para repensar os próximos passos. Já antecipou, por exemplo, as eleições para a direção nacional, que agora devem acontecer no primeiro semestre de 2017 e não mais no final daquele ano, como era previsto inicialmente."O partido precisa se libertar da dependência em Lula e não pode pensar em se reconstruir em torno da figura dele. É preciso criar novas lideranças", destaca o professor de história da USP,  Lincoln Secco, autor do livro "História do PT" (Ateliê Editorial). Ele defende a formação de uma frente ampla de esquerda, que não tenha necessariamente um protagonismo petista neste momento.
Uma visão parecida com a do petista Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul pelo partido, para quem essas eleições municipais representaram a "vitória de ninguém",devido ao grande número de votos brancos, nulos e abstenções. Para ele, o partido tem que pensar para além das eleições de 2018. "Temos que ter uma renovação organizativa da esquerda programática, apontando como tirar o país da crise. Se a esquerda não se unir, vai desaparecer", ressalta ele, que afirma que essa frente poderia se apoiar, para a candidatura em 2018, em nomes como Ciro Gomes, ex-ministro de Lula, hoje no PDT, o governador do Maranhão pelo PCdoB, Flávio Dino, ou até Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que se diz apartidário. 

Há um consenso dentro do partido de que agora, na oposição federal, será o momento de se reaglutinar nas ruas para se opor aos cortes que serão impostos pelo Governo de Michel Temer. Com isso, a sigla poderá recuperar seus eleitores de esquerda e mais politizados. No entanto, ao adotar a postura combativa que tinha antes de 2002, quando Lula adotou o fisiologismo das alianças e venceu pela primeira vez a eleição, se colocará contrário à maioria das legendas que hoje apoiam Temer. E, diante da necessidade de aglutinar mais siglas para se colocar como um competidor ágil e menos dependente do recall político de Lula, viverá, portanto, um enorme dilema.

Entenda o que está em jogo (e as polêmicas) com a PEC que limita o gasto público


© Fornecido por BBC Plenário da Câmara deve votar nesta semana a principal aposta de Michel Temer para recuperar contas do Brasil


Nesta semana, o plenário da Câmara deve votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, principal aposta do governo Michel Temer para colocar as contas públicas em ordem. A medida, que estabelece um teto para o crescimento das despesas, está causando polêmica por congelar os gastos durante vinte anos e alterar o financiamento da saúde e da educação no Brasil.
De um lado, a PEC é considerada necessária para reduzir a dívida pública do país - que está em 70% do PIB (soma das riquezas produzidas) - e tirá-lo da crise fiscal. Do outro, é vista como muito rígida e criticada por, em tese, ameaçar direitos sociais.
Afinal, o que está em jogo com a aprovação do texto?
A BBC Brasil ouviu economistas para explicar o que diz a proposta e quais são seus pontos mais debatidos.

O que diz a PEC?

A PEC 241 fixa para os três poderes - além do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União - um limite anual de despesas.
Segundo o texto, o teto será válido por vinte anos a partir de 2017 e consiste no valor gasto no ano anterior corrigido pela inflação acumulada nesses doze meses. A inflação, medida pelo indicador IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), é a desvalorização do dinheiro, quanto ele perde poder de compra num determinado período.
Dessa forma, a despesa permitida em 2017 será a de 2016 mais a porcentagem que a inflação "tirou" da moeda naquele ano. Na prática, a PEC congela as despesas, porque o poder de compra do montante será sempre o mesmo.
Caso o teto não seja cumprido, há oito sanções que podem ser aplicadas ao governo, inclusive a proibição de aumento real para o salário mínimo.
Mais do que colocar as contas em ordem, o objetivo da PEC, segundo mencionado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, seria reconquistar a confiança dos investidores. A aposta da equipe econômica é que a medida passe credibilidade e seja um fator importante para a volta dos investimentos no Brasil, favorecendo seu crescimento.

O teto ameaça saúde e educação?

Um dos principais questionamentos é que, ao congelar os gastos, o texto paralisa também os valores repassados às áreas de saúde e educação, além do aplicado em políticas sociais. Para esses setores, a regra começa a valer em 2018, usando o parâmetro de 2017. A mudança foi incluída no relatório feito pelo deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), relator da proposta na comissão especial da Câmara.
Segundo os críticos, tais restrições prejudicariam a qualidade e o alcance da educação e da saúde no país. Hoje, os gastos com esses segmentos podem crescer todo ano. As despesas com saúde, por exemplo, receberam um tratamento diferenciado na Constituição de 1988, a fim de que ficassem protegidas das decisões de diferentes governos.
A regra que vale hoje é que uma porcentagem mínima (e progressiva) da Receita Corrente Líquida da União deve ir para a saúde. Essa porcentagem, de 13,2% neste ano, chegaria a 15% em 2020. Como a expectativa é de que a receita cresça, o valor repassado também aumentaria. No relatório da PEC, esses 15% foram adiantados para 2017 e então ficariam congelados pelo restante dos 20 anos.
Para o professor de economia da Unicamp Pedro Rossi, essas mudanças afetam sobretudo os mais pobres.
"A população pobre, que depende mais da seguridade social, da saúde, da educação, vai ser prejudicada. A PEC é o plano de desmonte do gasto social. Vamos ter que reduzir brutalmente os serviços sociais, o que vai jogar o Brasil numa permanente desigualdade."
Rossi diz que a medida não faz parte de um sistema de ajuste fiscal, mas de um projeto de país no qual o governo banca menos as necessidades da população.
Além disso, argumenta a professora da PUC-SP Cristina Helena de Mello, é inadequado colocar um teto para os gastos com saúde, porque não dá para prever como os atendimentos vão crescer.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a aprovação da PEC deve reconquistar a confiança dos investidores© Fornecido por BBC O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a aprovação da PEC deve reconquistar a confiança dos investidores
"Você pode ter movimentos migratórios intensos, aumento da violência e das emergências, aumento dos nascimentos. Vai ter hospital superlotado, com dificuldade para atender."
Segundo a professora, com a PEC, o acesso das próximas gerações a esses serviços públicos fica comprometido: "estamos prejudicando vidas inteiras"
"Muitas pessoas nesse debate não enxergam o dilema real: se não contermos a crise agora, a inflação vai aumentar muito."
Ela diz que o país está à beira de uma crise fiscal. Se o governo não consegue aumentar a receita para pagar os juros de sua dívida nem cortar gastos, explica Battisti, ele precisa pressionar o Banco Central a imprimir mais dinheiro - e a inflação sobe.
De acordo com a professora, o tamanho do prejuízo na saúde e na educação vai depender de como os cortes serão feitos. Se eles atacarem a máquina burocrática, e não as escolas, podem ser menos danosos. O importante, diz, é preservar a ponta: a sala de aula.
O que preocupa Battisti é o perfil dos cortes feitos até agora pelo governo Temer, como os critérios mais rígidos para conseguir o seguro-desemprego.
"Na minha percepção, os congelamentos que estão acontecendo atingem as transferências para a população, como o seguro-desemprego, e não os gastos correntes, como os salários de funcionários públicos. Isso é muito ruim, porque as pessoas precisam dessa garantia para pagar seus compromissos. É uma coisa que numa economia avançada seria impensável."
No entanto, há quem acredite que os cortes serão feitos da forma correta, melhorando a gestão dessas áreas.
O professor de Economia do Insper João Luiz Mascolo afirma que é não é uma questão de quantidade de dinheiro, mas de colocá-lo no lugar certo. Para ele, não faltam recursos, falta boa administração.
O coro é engrossado pelo economista Raul Velloso, para quem "o Brasil sempre gasta mais do que precisa".
"A gente tem muita gordura no gasto. Se queimar essa gordura, está de bom tamanho. E estamos partindo de uma base que não é assim tão pequena. Numa situação tão complicada, crescer pela inflação, variável constante, não é uma coisa tão apertada."
Ele argumenta que, no relatório apresentado à comissão especial da Câmara, saúde e educação receberam um tratamento especial, com o teto valendo a partir de 2018. Isso daria uma "folga inicial" na aplicação da regra.
Mesmo se o dinheiro for insuficiente em algum ponto, Velloso e Mascolo dizem que valores podem ser retirados de outros setores para cobrir essas necessidades. Além disso, afirmam, o período de dez anos - depois do qual o presidente pode propor mudança no formato da correção - não seria assim tão longo.
"As pessoas esquecem é que o gasto (afetado) é global. A mensagem central é que o gasto total da união não cresça mais do que a inflação. É uma tentativa de organizar as contas. Tem a possibilidade de alterar em dez anos. É um sinal de que vão conseguir retomar o controle da dívida em uma década".

Vinte anos é um bom prazo?

Outro ponto de discussão é a duração da PEC. Para uns, ela é uma medida muito rígida para durar tanto tempo, e deveria ser flexível para se adaptar às mudanças do país. Para outros, um período tão extenso passa a mensagem de que o Brasil está comprometido com o equilíbrio das contas.
A professora Cristina de Mello, da PUC-SP, faz parte do primeiro grupo. Ela diz que, se houver uma queda abrupta da arrecadação, por exemplo, a dívida aumentaria, porque os gastos serão congelados em um patamar alto.
Segundo Mello, o argumento de que uma medida de longo prazo passa mais credibilidade é falacioso. Isso porque, se antes do prazo de dez anos, o governo precisar mexer em alguma regra, a PEC gerará desconfiança.
"Se daqui a alguns anos, for necessário fazer um gasto maior e mudar o índice de inflação por outro mais confortável, vai haver descrença. Por que escolheram esse critério e não outro? Pode haver maquiagem de dados."
Ela afirma que o texto é também uma estratégia para não ter que aprovar o orçamento no Congresso todos os anos, como acontece hoje.
"Imagina se tiver uma catástrofe, uma epidemia de zika, que vai exigir gastos maiores. A sociedade vai pressionar o governo e ele vai se resguardar no teto, podendo cortar outras coisas. É uma estratégia de negociação."
Ao tirar o Congresso dessas decisões, o professor Pedro Rossi, da Unicamp, considera a medida antidemocrática.
"O Congresso não vai poder moldar o tamanho do orçamento. Por consequência, a sociedade também não."
Para a Secretaria de Relações Institucionais da Procuradoria-Geral da República, a medida também fere a Constituição. A Secretaria enviou ao Congresso uma nota técnica dizendo que as alterações da PEC são "flagrantemente inconstitucionais, por ofenderem a independência e autonomia dos Poderes Legislativo e Judiciário" e a autonomia do Ministério Público. Segundo a nota, o prazo de vinte anos é "longo o suficiente para limitar, prejudicar, enfraquecer" o desempenho das instituições do Sistema de Justiça. O Planalto respondeu dizendo que o limite será igual para todos os poderes.
Do outro lado, Jolanda Battisti, da FGV, afirma que o prazo representa que o governo está "comprando tempo" para colocar a dívida sob controle.
"É como se uma pessoa endividada que diz que vai te pagar de volta, mas só dez reais por semana, e não em grandes prestações."
Um plano de longa duração, afirma, substitui ações mais drásticas, como aumentar impostos ou cortar despesas imediatamente, o que poderia agravar o desemprego.
O professor do Insper João Luiz Mascolo argumenta que vai levar alguns anos para que alcancemos o superavit primário (dinheiro que sobra nas contas do governo e serve para pagar os juros da dívida). Hoje, temos deficit primário, ou seja, não sobra dinheiro.
"Ainda vamos ter um pico antes da dívida começar a cair. Por isso a PEC é longa, tem uma inércia nessa conta. Ela não vai trazer o deficit para zero em um ano"
O economista Raul Velloso aposta na revisão desse período do futuro.
"Se chegarmos a conclusão de que é muito longo e a dívida já diminuiu, revemos. Mas agora estamos numa crise muito séria, não podemos arriscar. É um tiro só."

Havia outras opções?

A necessidade do Brasil de arrecadar mais do que gasta é um consenso entre os economistas. Mas ele discordam sobre a melhor forma de fazê-lo. Haveria alternativas a um teto de 20 anos? Ele é a melhor escolha?
Para Mascolo, do Insper, sim.
Ele diz que já era hora de focar nos gastos do governo. Antes, a situação fiscal era analisada pelo superavit primário (o quanto sobra nas contas para pagar os juros da dívida). Quanto maior o resultado do superavit, melhor a situação fiscal.
"Finalmente o governo decidiu atacar as despesas. A receita fica em aberto, mas a premissa é que a economia vai crescer e você vai arrecadar mais."
Holandesa, a professora da FGV Jolanda Battisti diz que o teto é uma referência de inovação e é aplicado em países como Holanda, Finlândia e Suécia. No entanto, pondera, lá tem um prazo de três ou quatro anos e é discutido nos ciclos eleitorais, promovendo debates frequentes sobre as contas públicas. No Brasil, esse é um modelo que poderia ser adotado, afirma.
Outra opção à PEC, segundo a professora Cristina de Mello, seria reduzir as despesas com juros, que em 2015 ficaram em R$ 367 bilhões. O número é o mais alto da série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, iniciada em 2004.
Os juros são pagos para as pessoas que compram títulos públicos, uma forma de investimento que serve para o governo arrecadar dinheiro. Quando alguém compra um título, esse valor foi para o governo. Em contrapartida, depois de um tempo, ele paga juros a essa pessoa, o que representa o rendimento do papel.
"Esse gasto não está na PEC. A Alemanha, por exemplo, tem uma dívida muito alta e o esforço que fizeram foi diminuir as despesas com os juros, não com o bem-estar social."
Para Pedro Rossi, da Unicamp, o aumento dos impostos seria uma forma de aumentar a arrecadação e melhorar as contas. Ele diz que as grandes fortunas não são taxadas e, com a PEC, essa discussão se perde. Rossi nega o argumento de que não haveria um clima favorável para abordar a alta de impostos.
"Há um travamento do debate de maneira autoritária. Você tem ambiente político para destruir gasto social, mas não dá para rever carga tributária?"

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Flávio Dino foi o grande vencedor das eleições, diz Othelino sobre fortalecimento da base aliada

Flávio Dino foi o grande vencedor das eleições, diz Othelino sobre fortalecimento da base aliada

O deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) fez, na sessão desta segunda-feira (3), um balanço positivo do resultado das eleições no Maranhão e destacou que o governador Flávio Dino (PCdoB) foi o grande vencedor deste processo. Segundo ele, a base aliada ao governo se fortaleceu em todo o Estado e o PCdoB foi o que mais elegeu gestores municipais. Foram 46 prefeitos, além de 26 vice-prefeitos.

Othelino destacou que o saldo político destas eleições foi muito positivo para a base aliada do governo.  O deputado citou vitórias importantes como em Barra do Corda, onde o prefeito Eric Costa, depois de uma campanha muito alegre, foi reconhecido pela qualidade do seu mandato e o reelegeu.

Na cidade de Açailândia também foi reeleito o prefeito Juscelino Oliveira do PCdoB. Em São Bento, foi eleito o ex-prefeito Luisinho Barros com uma expressiva votação. O mesmo se repetiu com Valéria Castro,  no município de Presidente Sarney, também do PCdoB. Em Vargem Grande, por exemplo, um quadro do PCdoB, Carlinhos Barros, foi eleito com 65% dos votos daquela cidade.  Uma votação expressiva, deixando o adversário com cerca de um terço dos votos.

Othelino destacou ainda o município de Alcântara, onde o jovem Anderson Wilker teve 63% dos votos, disputando contra o atual prefeito Domingos Arakém, que teve apenas 16% dos votos na cidade. “Esses são alguns dos muitos exemplos de candidatos do PCdoB que foram eleitos e que muito nos alegra que tenham conseguido chegar à Prefeitura e certamente farão um bom trabalho. Mas não comemoro só as eleições, as vitórias dos candidatos do PCdoB também”, comentou.

Partidos aliados

O deputado reconheceu também a vitória de vários candidatos de partidos aliados que compõem a base de apoio ao governador Flávio Dino. O PSDB elegeu 29 prefeitos. O PDT, 28. O PSB, presidido pelo prefeito reeleito de Timon, Luciano Leitoa, elegeu 13 prefeitos. Desses, o município marcante, importante, um dos maiores do Maranhão, é o município de Timon. “Uma vitória maiúscula que atesta a grande liderança do prefeito Luciano Leito”, ressaltou.

E, em contrapartida,  segundo Othelino Neto, partidos que antes mandavam no Maranhão, que historicamente faziam a grande maioria dos prefeitos, não tiveram o mesmo êxito de antes.  O PMDB elegeu  47 prefeitos, em 2012, e agora conseguiu emplacar apenas 24. O  Partido Verde, dos deputados Adriano Sarney e Edilázio Júnior, elegeu 20 prefeitos, em 2012, e agora apenas sete. “Isso exemplifica, de forma marcante, como a população do Maranhão está apostando neste novo caminho que foi iniciado em 2014, de um Maranhão diferente, que contemple a todos e que passa, de forma gradual, a romper com o atraso para dignificar o seu povo, deixando de condenar sua população a ter os piores indicadores sociais no Brasil”, pontuou.


Em seu pronunciamento, Othelino disse que o governador Flávio Dino receberá todos os prefeitos, independente de cor partidária, nessa nova safra que tem um perfil de mudança. “Nós do PCdoB, saímos satisfeitos desta eleição - convictos de que a responsabilidade aumenta, porque teremos muito mais quadros nos partidos aliados governando municípios – e estamos com a consciência tranquila de que a participação do governador Flávio Dino, nessas eleições, aconteceu de forma republicana, indo aos municípios enquanto cidadão, sem uso da máquina para beneficiar candidatos, acabando com a farra de convênios eleitoreiros que acontecia no passado e, assim, permitindo que a população fizesse a sua opção e escolhesse, livremente, os seus representantes”, afirmou.

Entre as quatro piores escolas avaliadas no Enem, três são do Maranhão

As notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por escola de 2015, divulgadas nesta terça-feira (4), mostram que três das quatro piores escolas avaliadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira são do Maranhão.
Com a pior avaliação dos país, que ficou na posição 14.998º, aparece o Colégio Estadual Quilombola 27 de Maio, no município Porto da Folha, em Sergipe.

 Em seguida, são as maranhenses: CE Cristino Pimenta (Anexo III), em Bacuri; CE Dr. Adonias Lucas de Lacerda (Anexo Várzea), em Sucupira do Norte; e CE Marcelina Noia Alves (Anexo I), em Alto Alegre do Pindaré.
Entre as 50 piores escolas do país, aparecem, ainda, do Maranhão: CE Dr. José Neiva (14.982º), em Pastos Bons; CE Dr. Paulo Ramos (14.978º), em Sambaíba; e UE Arimatéia Cisne (14.949º), em Arari; CE Professor Ignácio Rangel (14.941º), em São Luís. Todas as escolas maranhenses entre as 100 piores do país da rede pública estadual.

Os resultados do Enem por Escola contemplam escolas que cumpriram o critério de ter pelo menos dez alunos participantes do Enem 2015 e ter taxa de participação igual ou superior a 50%. Os resultados também contabilizam os 1.212.908 estudantes matriculados no 3º ano do Ensino Médio Regular, declarados no Censo da Educação Básica de 2015 e que realizaram as quatro provas objetivas e a prova de redação do exame no ano passado, recebendo nota maior que zero nas objetivas e não tendo sido eliminados da redação.
 
Veja a lista das 10 piores escolas maranhenses avaliadas
1.      CE Cristino Pimenta (Anexo III), em Bacuri
2.    CE Dr. Adonias Lucas de Lacerda (Anexo Várzea), em Sucupira do Norte
3.    CE Marcelina Noia Alves (Anexo I), em Alto Alegre do Pindaré
4.    CE Dr. José Neiva, em Pastos Bons
5.     CE Dr. Paulo Ramos, em Sambaíba
6.    UE Arimatéia Cisne, em Arari
7.     CE Professor Ignácio Rangel, em São Luís
8.    CE Nazaré Ramos, em São Luís Gonzaga do Maranhão
9.    CE Professora Marieta Sá, em Sucupira do Riachão
10. CE Sertão Maranhense, em Carolina

Deputado Hildo Rocha faz nova ação em defesa da conclusão Hospital Regional de Chapadinha

Por meio de vídeo postado nas redes sociais, o deputado federal Hildo Rocha (PMDB) voltou a cobrar a conclusão do Hospital Regional e do Centro de Hemodiálise de Chapadinha. Esta é a segunda vez que Rocha cobra providências. “Dois meses depois que estivemos aqui a situação continua da mesma forma”, lamentou o parlamentar.

Sofrimento

O deputado disse que por falta de atenção do governador, pacientes com problemas renais que residem em Chapadinha e municípios da região são obrigados a se deslocaram três vezes por semana para se submeterem ao tratamento em São Luis. “O sofrimento das pessoas que poderiam estar sendo atendidas por esse hospital e pelo centro de hemodiálise foi notícia no Jornal Nacional e no Bom dia Brasil, da Rede Globo de televisão”, lembrou.
O parlamentar lembrou que a governadora Roseana Sarney deixou o prédio praticamente pronto e com recursos em caixa para o término do empreendimento, mas há dois anos a obra permanece parada. “Vou, novamente, ao BNDES denunciar esse absurdo, esse descaso do governador Flávio Dino com a saúde pública do Maranhão”, afirmou Hildo Rocha.

Fernando Coelho é eleito prefeito de Bom Jesus das Selvas/MA

Prefeito eleito começa montar sua equipe de transição

O prefeito eleito do município de Bom Jesus das Selvas, Fernando Coelho (PCdoB), encaminhou mensagem ao Blog do Antonio Marcos nesta segunda-feira (03), para agradecer pela vitória nas urnas.

Fernando Coelho venceu com 7.706 votos validos, que corresponde a 50,80% da preferência do eleitorado bonjesuense. Sua concorrente, a atual prefeita daquele município Cristiane Damião teve 7.462 que corresponde a 49,20% dos votos válidos.

A disputa entre a prefeita derrotada Cristiane Damião e o prefeito eleito Fernando Coelho foi bastante acirrada. A diferença entre os dois foi de apenas 244 votos. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral – TSE, ao todo, 15.168 eleitores foram às urnas, o que representa 94,82% da população votante. Ainda segundo o TSE, 92 eleitores votaram em Branco (0,58%) e 737 (4,61%) anularam o voto.

“Atribuímos nossa vitória a Deus, ao trabalho que temos prestado na cidade, ao empenho da minha família, amigos e população em geral, que assim como eu anseia por dias melhores. Quero aqui deixar meus agradecimentos a essas pessoas maravilhosas que fizeram resistência ao dinheiro, pois sabemos que a campanha da nossa opositora era pautada nisso. O povo dessa vez acordou, e viu que Bom Jesus das Selvas precisa de um gestor que trabalhe pelo bem coletivo e que sobre tudo respeite o cidadão e a coisa publica. Não medirei esforços para que possamos construir nos próximos quatro anos, uma nova cidade. Serei o prefeito de todos”,disse Fernando Coelho.

Flávio conseguiu eleição de 153 prefeitos aliados; publicação nacional corrige informação equivocada

Gerou euforia em parte da blogosfera maranhense a possível declaração do governador Flávio Dino ao jornalista Renato Rovai, da Revista Fórum, de que teria eleito 217 prefeitos no Maranhão. Ou seja, todos eles. Claro que Flávio não falaria tamanha besteira, pois todos sabem que foram eleitos vários adversários. 


A publicação da Revista Fórum transcreveu de forma errada a declaração do governador. Depois, corrigiu, informando o número correto. Flávio disse que 217 é, na realidade, o número de prefeituras do estado do Maranhão. O PCdoB elegeu 46 prefeitos e, ao todo, foram eleitos 153 prefeitos entre PCdoB e partidos coligados.

É isso.

Golpe com nome do UNICEF leva três suspeitos à prisão

Crédito: Reprodução Três homens suspeitos de usar o nome do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para arrecadar falsas doações ...