Candidatos a deputado estadual e a federal, tanto da campanha de Flávio Dino quanto de Lobão Filho, reclamam que ainda não chegou a ajuda esperada da parte dos majoritários.
Claro que a chiadeira é maior do lado de Lobão Filho, já que é o candidato do governo, filho do ministro do poderoso Ministério das Minas e Energias, empresário bem sucedido e bem resolvido financeiramente.
Entretanto, é impressionante como tem candidato que parece ser totalmente dependente da estrutura das campanhas majoritárias. Os caras entram numa disputa sabendo que a coisa não é brincadeira, que requer planejamento, articulação, equipe, equipamentos, materiais diversos, enfim, que é uma empreitada onerosa do ponto de vista financeiro, mas ainda assim se metem para depois chorar miséria.
Muitos candidatos, alguns inclusive com mandato, foram mal acostumados ao longo das eleições a fazer campanha apenas com o dinheiro alheio. São incapazes e incompetentes quando têm que meter a mão no bolso. Passam quatro anos no mandato mas só descobrem que campanha é feita com dinheiro na época da eleição.
Lógico que os candidatos majoritários podem e devem ajudar seus aliados da eleição proporcional, posto que campanha é trabalho de grupo, mas daí o cara dizer que não pede voto para o governador e o senador da coligação que faz parte porque não apareceu a “estrutura” é um absurdo, quando não uma canalhice da pior espécie – corre a notícia que um deputado estadual de vários mandatos irá renunciar à candidatura por falta de “apoio político” e de “açúcar”. É mole?
Penso que duas coisas contribuíram para este vício dos candidatos proporcionais fazerem campanha contando com o ovo no “forévis” da galinha: (1) o reino da agiotagem que dominou por muito tempo as eleições no Maranhão, mas que perdeu força após a execução do jornalista Décio Sá; e (2) o festival de convênios governamentais com a “classe política” que passou a ser o principal “açúcar” para que os aliados do Palácio dos Leões entrem de fato na campanha.
Com esta realidade. só resta à cidadania torcer para que o próximo governador do Maranhão, seja ele quem for, reeduque essa tal classe política no sentido de fazê-la menos dependente dos recursos alheios para tocar sua campanha.
Quem entrar numa campanha eleitoral tem que ter a exata compreensão de onde está se metendo.
Caso contrário devem lembrar do conselho da vovó: “Quem não pode com o pote não segura na rodilha”.