
O Brasil deverá registrar aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. A projeção foi divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) nesta quarta-feira, durante o Dia Mundial do Câncer, e indica um crescimento de cerca de 10,9% em relação à estimativa anterior, que apontava 704 mil diagnósticos anuais no período de 2023 a 2025.
Os dados fazem parte da publicação Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil, apresentada em evento no Rio de Janeiro com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O levantamento serve de base para o planejamento de políticas públicas, ações de prevenção, estratégias de diagnóstico precoce e organização da assistência oncológica em todo o país.
De acordo com o Inca, o câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente, concentrando 33,7% dos casos. Em seguida aparecem os cânceres de mama feminina, próstata, cólon e reto, traqueia, brônquio e pulmão, além do estômago, que juntos respondem pela maior parte dos diagnósticos no território nacional.
O relatório também evidencia diferenças significativas entre as regiões brasileiras. No Norte, os tipos mais comuns são os de mama feminina, colo do útero, cólon e reto, pulmão e estômago. No Nordeste, predominam os cânceres de mama feminina, colo do útero, cólon e reto, glândula tireoide e pulmão. Já no Centro-Oeste, os maiores registros envolvem mama feminina, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. No Sudeste, a maior incidência recai sobre mama feminina, seguida por cólon e reto, pulmão, tireoide e colo do útero. No Sul, destacam-se os cânceres de mama feminina, cólon e reto, pulmão, colo do útero e pâncreas.
O Inca reforça que uma parcela expressiva dos casos está relacionada a fatores que podem ser evitados. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 40% dos cânceres no mundo estão associados a riscos preveníveis, cenário que também se aplica ao Brasil. O tabagismo continua sendo um dos principais problemas de saúde pública, com atenção especial ao crescimento do uso de cigarros eletrônicos, sobretudo entre jovens.
As infecções aparecem como o segundo maior fator de risco global, com impacto mais acentuado nas regiões Norte e Nordeste. O câncer de colo do útero, por exemplo, tem a maioria dos casos ligada à infecção pelo HPV, o que reforça a importância da ampliação da cobertura vacinal e do combate à desinformação.
Entre as principais medidas de prevenção recomendadas estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada com redução do consumo de ultraprocessados, manutenção do peso adequado, evitar o consumo de álcool e tabaco, proteção contra a exposição excessiva ao sol, vacinação contra HPV e hepatite B e a realização periódica de exames preventivos conforme orientação médica. O diagnóstico precoce segue sendo um dos fatores decisivos para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos mais agressivos.