Depois de seis décadas disputando eleições sem perder uma sequer, o senador, ex-governador e ex-presidente da República, José Sarney, resolveu que não vai disputar mais uma eleição para o Senado Federal pelo estado do Amapá.
Costumo dizer que o Sarney divide a sociedade entre os que o amam, os que o odeiam e ainda aqueles, que formam uma menor parte, é verdade, que procuram entender a atuação politica desse octogenário político brasileiro.
Homem algum tem a competência irreparável de julgar o seu semelhante. Afora Deus, apenas a História pode se encarregar de julgar os nossos atos aqui neste mundo. E história já está julgando o Sarney, mas o veredito ainda não foi dado e pode levar anos para que a sentença seja do conhecimento público.
Já escrevi muito sobre o Sarney. Já falei mal do Sarney. Já esculhambei o Sarney. Como qualquer um que deseja ter alguma notoriedade aqui ou acolá, nada melhor do que escolher um politico como o ex-presidente Sarney para baixar a ripa, de preferência tirar o escalpo. Sempre dá um bom Ibope.
Só que o risco de atacar uma pessoa a quem não somos simpáticos, seja por questões pessoais ou por diferenças políticas e ideológicas, é incorrer em injustiças históricas. Certamente devo ter cometido algumas dessas injustiças com o Sarney em alguns casos, em outros não.
É evidente que se pudesse, Sarney não deixaria de ser candidato nestas eleições. Se resolveu não disputar mais um mandato pelo Amapá é tão somente porque o velho baixadeiro da cidade de Pinheiro percebeu que poderia ser pior: ser derrotado nas urnas pelo estado que ajudou a criar. Inteligente, Sarney avaliou que é menos prejudicial para a biografia e para o ego deixar o mandato naturalmente do que ser expulso pela força do voto popular.
Mas, atenção: equivoca-se desgraçadamente quem pensa que fora do mandato, Sarney estará também fora da política.
Políticos como José Sarney se reinventam de alguma forma…